Estou sentado na varanda, em minha cadeira de balanço. Tenho uma manta sobre as pernas e uma xícara nas mãos, algo quente e aconchegante descansa dentro dela. Uso pijamas azul-claro e branco. Meus cabelos estão ralos, mas compridos como nunca. Passo a mão também no rosto e sinto uma barba de meses. Não consigo me concentrar no horizonte ou em qualquer coisa ao meu redor, sei que o chão é de madeira, que estou descalço, que num movimento mecânico, percebido minutos depois, balanço minha cadeira gentilmente com os dedos dos pés. Olho para o lado, alguns senhores jogam cartas numa mesa de metal com tampo plástico azul-claro, sentados em cadeiras semelhantes. À frente um jardim bonito, pequenos caminhos feitos de tijolos vermelhos dão forma à canteiros de margaridas, copos-de-leite e crisântemos. Uma pequena e odiosa fonte em forma de taça com um sapo de pedra esculpido cuspindo água para cima se levanta do meio de um canteiro de margaridas, me acalma. Não tenho certeza de onde estou, mas parece ser um lugar agradável. Estou confortável, aquecido num tempo frio, com uma bebida quente em minhas mãos e alguns amigos jogando cartas; parece certo, parece bom. Ainda assim não me lembro do meu sobrenome, sinto que tenho família, mas não me recordo do rosto de ninguém. Sentimento agoniante, mas logo passa quando uma canção me vem aos lábios sem que eu a sinta passando pela cabeça:
"Pile all the books without getting any answers,
Cherish your friends and notice all o' them are gone,
Live your whole life and remember by the end
no one can stand against the wind"
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